• Andersonn Prestes

Para quê?



A mente humana é alguma coisa de muito curiosa. Isso não é assunto novo. Milhões de reações químicas, impulsos elétricos, ligações e pontes. Uma rede impensável e quase infinita de possibilidades. Consciência, inconsciência, memória recente, traumas, fobias...

O grande “trunfo” da nossa espécie é a criatividade. Aquela intrínseca capacidade de abstração e cognição na interpretação de tudo em que fazemos parte. O desenvolvimento de conceitos e suas inter-relações, a linguagem na forma mais pura. O comportamento curioso e inventivo provavelmente nos ajudou muito ao longo do caminho. Por isso até entendo o suposto atrito causado pela ciência e religião.

Todos queremos explicações.

Às vezes é difícil separar o é do que não é, ainda que o “pode ser” se torne mais conveniente e honesto.

O exercício de desconstrução é um dos mais dolorosos.

Pensar em nada. Esvaziar. Simplesmente não há uma resposta.

De certa forma isso é muito interessante.

Um antigo professor quando falava do poder absurdo do veneno de algumas aranhas repetia: Para que tanto veneno?! Se aranha come mosca por que algumas podem deitar um cavalo? Claro que não podemos voltar no tempo (ainda) e compreender todas as pressões ambientais e mudanças evolutivas que proporcionaram o aparecimento de tal característica.

Aprendi, há pouco tempo, o significado de uma palavra nova – contingência. É mais ou menos assim: as coisas acontecem. Não para lá, não para cá. É um complexo sistema de acontecimentos que ora podem ter uma utilidade e depois mudar de função para talvez desencadear algo novo.

Depois de tudo isso nós acabamos desenvolvendo a capacidade de tentar interpretar. Não apenas a capacidade. É quase uma imposição. De onde viemos? O que somos? E todas as perguntas que devem também estar no tal de inconsciente do Freud.

Perguntar, buscar a resposta e compartilhar. Aprender, discutir e criticar. Aqui está a cultura.

Mas sabem de uma coisa que me pergunto bastante: Por que pode ser tão bom escutar uma música? Ou algumas coisas que simplesmente mexem com a gente? Não sei, podem levar o carro que eu não tenho ou meu computador sem memória. Mas toquem um tango cheio de acordes menores com um violoncelo em volume alto e tenho certeza que meus olhos enchem de água.

Amigo sapiens: Para que tanta cabeça?!

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