• Andersonn Prestes

A arte indissociável


Faz realmente tempos que não escrevo, meses, dezenas de dias agrupados desde o último dia que escrevi até hoje. Venho procrastinando letras de música para umas cinco harmonias que já tenho o esqueleto. Mas é uma procrastinação sem culpa; aguardo uma resposta de espécie de patrocínio, pouco provável, mas confiante, para gravar minhas próximas músicas. Mas escrever faz bem, como tocar ou cantar; a atividade te coloca numa zona diferente, em que a mente flutua e vai procurando suas diferentes maneiras de expressão. Nas primeiras páginas do meu livro eu coloco uma citação que diz que escrever é a arte de descobrir no que você acredita. Às vezes os pensamentos estão soltos e espalhados em nossa cabeça. Desconectados de propósito ou significado. A arte, seja escrita, pintada, cantada, ajuda a conectar e dar significância, descobrindo um pouco mais de nós mesmos e do que nos rodeia.

Não é preciso fazer arte, apesar de que recomendo a todos nós, que somos artistas e criativos em essência, a desempenhar alguma atividade artística. Nem que seja no jardim, na cozinha ou no papel. Mas não é preciso. Consumir arte também nos desperta e conforta na linha de dois caminhos entre aquele que produziu a arte e aquele que consumiu e interpretou. De acordo com o que sentia no momento, o que pensava, o que viveu e o que vive. A arte procura conectar, trazer um sentimento de pertencimento e relação. É um advento da cultura, feito por nós que estamos embebidos em algum ambiente em algum momento da história. Mas penso que também procura a verdade, a arte busca a verdade, que pode trazer desconforto. Alguns artistas em excelência às vezes não atingem tanta gente e não se tornam tão populares talvez por serem verdadeiros demais. Muitas vezes despertam admiração, mas não conseguem uma forte linha de conexão. Não estou dizendo que a sociedade é superficial, mas no final do dia tu podes apenas querer algo leve e sem camadas mais profundas.

A cultura flutua, e o agora é diferente do depois. É sempre difícil prever o futuro, e o que será escutado ou lido, por exemplo. O que torna um artista único é o que ele tem de mais humano, que pode vir a ser mais apreciado ou não. Mas ainda assim traz a sua identidade. O artista deve se ater a sua voz e trabalhar sua evolução. O consumidor poderia buscar a diversidade para uma vida mais rica e cheia de surpresas. Experimentar os diferentes tipos de artes, músicas, livros, desenhos, abrir o leque, a cabeça e se identificar com aqueles os quais se sente mais conectado, sem nunca desprezar os demais.

A vida possue diversos momentos e sentimentos e cada um deles pode ter uma diferente arte como pano de fundo, trazendo mais significado, entendimento e relevância.

O que vem sendo oferecido também é outra questão pertinente, mas que poderia entrar em conflitos que não gostaria de abordar nesse momento. Por mais que esteja acontecendo certa democratização da arte e cultura, grandes corporações e um pequeno grupo de pessoas ainda detém grande parte da distribuição. Nossos gostos são sugestionados por algoritmos que possuem interesse comercial, por exemplo.

Enfim, em minhas breves colocações sobre arte gostaria de terminar reiterando toda a minha admiração a este aspecto indissociável de cada um de nós. Produzir e consumir arte faz parte da nossa espécie, tanto quanto comer aquele bolo tomando um café.

#arte #escrever #cultura #música #consumirarte

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