• Andersonn Prestes

A saga do ovo


Um amigo fez pizza. A massa, o recheio, tudo isso aí. Daí antes de colocar no forno ele fez algo nada ortodoxo: quebrou um ovo por cima. Ficou um ovo quebrado assado sobre a pizza. A pizza com todos os sabores e delícias - mais um ovo. Pereceu frito, com a diferença de que foi feito no forno. Achei polêmico, mas confesso que deu vontade de experimentar. Eu vi nas redes, nos grupos. O artista nos informou sobre sua astúcia gastronômica. Exibiu como um troféu de um chef da alta gastronomia paulistana. Ficamos boquiabertos. Alguns contestaram, elevaram o tom de voz. Outros exaltaram. A comida desperta paixão. Eu experimentaria. Provavelmente gostaria. O ovo é pop. É o alimento das academias, dos filmes de luta. Até dos cantores como no filme do Zezé Di Camargo e Luciano. Ovo é barato e vai em praticamente tudo. Na massa do bolo, na salada. Cozido, frito. Se bate a clara, faz merengue. Se bate a gema, faz maionese. Que iguaria! Antigamente era vilão. Diziam que era gorduroso, aumentava o colesterol. Hoje já é mocinho, faz bem. Um Adam Sandler das comédias românticas: sempre presente em todos os catálogos. Só sinto pena das galinhas na produção em larga escala, que são confinadas a produzirem ovos em condições degradantes. Galinhas caipiras teoricamente têm uma vida melhor. Sinto também pelo alto falante do carro do ovo aqui da rua. Não é muito claro, mas acho que ele diz que é “30 ovo a 10 real”. Mas geralmente compramos do seu Zé e sua camionete do “Olha aí freguesia”. O ovo chega na porta de casa, como uma granja ambulante, se oferecendo e indo parar nos pratos mais inusitados. Mas assado, quebrado em cima da pizza, foi a primeira vez – é a criatividade na quarentena.

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