• Andersonn Prestes

O computador estragado e minha trajetória de artista solo



Meu computador tinha bugado. Fui atualizar e puff... Nada mais funcionava. Não ia pra frente, não voltava como era. Situação tensa. Ficar sem computador não estava nos meus planos no meio do isolamento social.

Eu tenho um notebook Mac velhinho e guerreiro. De 2011. Comprei quando estava estudando no exterior. Recebi um desconto de estudante e a garantia de que estaria levando uma boa máquina para casa. E lá onde estudava todos tinham um Mac, sentavam na cafeteria e usavam fone de ouvido. Era até por uma questão de compatibilidade - cultural e digital. Logo logo me apropriaria como um nativo do combo notebook + café + fone de ouvido.

O sistema operacional é um pouco diferente do tradicional Windows, mas nada que a gente não se adapte logo. Lembro que passado mais de um ano fuçando, descobri um software editor de música, o “Garage Band” (na tradução livre Banda de Garagem). Hoje parece óbvio falar do famoso “Garage Band”, mas na época realmente não conhecia. Ele é um software intuitivo, relativamente simples, que permite gravar e editar áudio. Foi ali abrindo, mexendo, que comecei a me desenvolver como compositor e instrumentista. Eu não me considero nenhuma pessoa tão talentosa em decifrar todos os caminhos de um programa, às vezes até tenho alguma dificuldade, mas aos trancos e barrancos conseguia produzir minhas músicas.


Durante o dia trabalhava no laboratório de biologia e a noite no meu laboratório musical. Com meu violão, gravava com o microfone do computador, deixando que a criatividade fluísse como fosse. Dependendo do temperamento saía uma coisa diferente. Às vezes lenta, às vezes enérgica.

A qualidade da gravação não era boa, mas tinha certa definição. As músicas eram curtas, cerca de um a dois minutos, e funcionavam como um momento bem particular. Uma, duas ou até três vezes na semana compunha alguma faixa instrumental curtinha, baseada no violão.

Comecei a publicá-las no soundcloud, um portal onde alguns músicos postam seus trabalhos. Até hoje elas estão lá, em www.soundcloud.com/aprestes, como uma biblioteca ou um arquivo revelando meu progresso. Ao longo de alguns anos foram quase 100 faixas produzidas.

Quando eu voltei para o Brasil, já havia me tornado um músico diferente daquele que tinha saído. Mas ainda me sentia inseguro porque era extremamente intuitivo, não tinha nenhum conhecimento sólido em teoria musical e recebia pouco feedback. Logo na volta, as coisas acabaram não acontecendo como poderiam e me desenvolver como músico foi uma opção quase inconsciente. Comecei a cantar mais, escrever letras, gravar meu primeiro álbum em estúdio. E o resultado me surpreendeu. Encorajou-me a pensar: “olha, eu tenho talento suficiente para ter uma carreira”. Também comprei um microfone melhor. Fiz um curso de teoria musical, outro de canto. Levava as guias musicais com algum material para o estúdio e, ainda que com menos frequência, compunha minhas músicas instrumentais no quarto. Assim, de fato, comecei minha trajetória como artista independente.

Meu último álbum, chamado “In the Room”, é como se fosse uma celebração a esse processo. Lançado em março desse ano, ele reúne as últimas oito faixas que gravei no meu quarto, agora com mais cuidado e com uma qualidade muito melhor do que nas minhas primeiras gravações. Com elas distribuídas e registradas, vejo uma forma de expressar minha gratidão por terem contribuído tanto na minha formação como músico.

Mesmo que ainda não consiga fazer em casa o que fazemos no estúdio (eu e o produtor), o avanço é notável.

(Para ouvir o álbum no Spotify clique aqui)


Quanto ao meu computador, que tinha estragado no início do texto, foi salvo. Um amigo, profissional da saúde tecnológica, guiou-me pelo whatsapp. Segui todos os passos e em algumas horas tive um notebook praticamente novo, atualizado e rápido. Amigo e amigos que também têm feito parte dessa caminhada musical, apoiando e curtindo a música que faço com esmero e dedicação.

E/Ou arrumando o computador.

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