• Andersonn Prestes

Os 80 anos da cidade de Canoas



Pouco tempo atrás foi lançado um livro em homenagem aos 80 anos da cidade de Canoas, local onde resido e residi boa parte da minha vida. O livro reúne 42 autores que de alguma forma estão ligados à cidade. Ele é divido em três partes: prosa, verso e informação sobre os autores.

Eu participei com um poema leve e positivo, onde personifico a cidade, chamando-a de senhora.


Por conta da participação, recebi dois exemplares e terminei de ler na semana passada. Li quase todos os textos, escapando um ou outro que não me chamou tanta atenção. Aprendi muito sobre a história da cidade, que até então só conhecia o passado recente. Muitos dos textos em prosa são artigos, cheios de referências históricas.

A cidade foi emancipada em 1939, antes um distrito de Gravataí. O nome está ligado a abundância de rios que estão presentes na região. Em uma época de poucas estradas, ou estradas precárias, o uso das canoas era constante. Canoas é uma cidade de imigrantes de todas as regiões. Claro que há seus fundadores: os índios, os tropeiros, com mais de século de ocupação.

A partir de uma construção de uma linha férrea, ainda no tempo do império, a densidade começou a aumentar. Por sua localização estratégica, a pequena vila emancipada em 1939 viu sua população explodir.

Hoje já somos cerca de 340 mil habitantes.

A cidade por muito tempo foi chamada de “cidade-dormitório”, pelo constante movimento das pessoas para ir trabalhar em Porto Alegre, ou mesmo em outras cidades vizinhas. Eu sou exemplo claro de imigração e cidade-dormitório. Meus pais se mudaram para cá quando eu ainda era criança e ao longo de grande parte da minha vida estudei e trabalhei em Porto Alegre.

Mas a cidade se desenvolveu, mesmo com todos os percalços do crescimento desordenado. Hoje é um polo industrial, tem universidades, bonitos parques, bares, gastronomia, um centro organizado. E cultura, onde estou inserido. Apesar de que ainda sinto falta de um local multicultural, vibrante em cultura canoense, com habitantes tão diversos e de tantas partes.

A segunda parte do livro, chamada de verso, conta com poesias. São textos variados, retratando diversas faces da cidade de forma pessoal e poética.

É interessante que os autores retratam bem essa natureza migratória de Canoas. A esmagadora maioria é natural de outra cidade, assim como eu, e tem Canoas como sua casa. Por diversos motivos se fixaram aqui e escreveram um pouquinho sobre o novo lar. De todo modo, Walter Galvani da Silveira, talvez o mais ilustre dos autores, nasceu em Canoas, sendo membro da academia Riograndense de letras, e já foi patrono da feira do livro de Porto Alegre.

É sempre bom conhecer um pouquinho mais de onde estamos.

Canoas, a cidade dormitório.

A cidade acordada.

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