• Andersonn Prestes

A arte da emoção em Lianne La Havas e Alicia Keys



Tem muitos artistas sensacionais por aí. A arte é algo que ninguém nos tira. Por mais que possa soar tendencioso por ser músico, acredito que arte é uma das coisas mais humanas que existem.

 - Tá, tem também tomar café e desacelerar para olhar o acidente (o que desaprovo), mas enfim.

Arte é um canal direto a nossas emoções, que abre nossa percepção de mundo e de nós mesmos. Sem spoiler, mas em meio aos horrores da guerra no filme “1917”, o momento mais humano do longa metragem é a vocalização do soldado antes da batalha. Junto a tanta violência desmedida, cantamos para lembrarmos o que somos, do que nos emocionamos e o que nos faz vibrar enquanto vivos.

Essa foi só uma introdução para falar um pouquinho de duas artistas que admiro muito, justamente por terem músicas e vozes que transbordam emoção, além da técnica irreparável.

Elas vêm a serem gringas, mas apenas porque resolvi escrever sobre elas hoje. O Brasil é um país culturalmente muito rico. Neste mesmo nicho de black soul o qual as artistas do texto fazem parte, a brasileira Liniker, por exemplo, também é um fenômeno maravilhoso.

Lianne La Havas é inglesa. O pai é de origem grega, a mãe de origem jamaicana. Uma bela mistura que resultou em uma musicista de talento raro. Ela manda muito bem na guitarra, com uma identidade própria - um estilo Lianne de tocar. Em suas composições, escolhe acordes não usuais e muito harmônicos entre si.

A voz dispensa comentários: é suavidade; é força bruta. Ela traz conforto nas notas baixas e muita potência nas agudas. Mesmo não prestando atenção na tradução, nem querendo saber o inglês que ela está cantando, a voz nos conta uma história. A emoção transpassa a barreira linguística e a mensagem chega no interlocutor, sem rodeios e mediadores. Eu recomendo todas as performances dela ao vivo no youtube.

Dê o play e aproveite.


A outra artista é a Alicia Keys. Eu fiquei viciado nessa última performance dela no “tiny desk concert”. Que ser iluminado. Ouvindo ela, a banda, é como se fosse um canal instantâneo de sentimentos bons. Traz calma, tranquilidade, beleza. Tenho certeza de que a plateia foi hipnotizada nos 27 minutos de espetáculo. Eu confesso que nem gosto tanto das versões de estúdio da Alicia, mas gosto muito de vê-la cantando, com pouca produção e mais vulnerabilidade. Ela, o piano, e sua personalidade amorosa.

O nome da primeira música do concerto é “show me love”, que não poderia ser mais apropriado. Na pequena sala, pertinho um dos outros, das vozes e instrumentos, o amor vibra. Na fala inicial ela diz sobre a necessidade do respeito mútuo, do amor, de reconhecer a beleza de cada um. É quase um comício à paz. Se quiser ouvir um espetáculo que mais parece um carinho, recomendo apertar o play.


O isolamento social também pode ser um momento de conhecer novos artistas (ou nem tão novos assim) e seu legado, que pode ajudar a ressignificar o que passamos, trazendo força e entendimento.

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