• Andersonn Prestes

Os tantos anos na cultura




Eu inscrevi minha trajetória cultural em um edital recente. Eu não fui um dos contemplados (sem terra arrasada), mas pensei em publicar os textos que preparei aqui no blog.


É um tipo de resumão dos meus cerca de 19 anos na música. Segue a história contada em 7 pequenos textos:


Trajetória cultural

Minha trajetória cultural começou em meados de 2002. Jovem baterista, integrava a banda autoral “A Metrópole” de Porto Alegre/Canoas. Como banda, fomos finalistas de diversos festivais teens, frequentes na época. Destaque maior para o Festival SESI Descobrindo Talentos de 2002 e 2003, quando fomos finalistas, tocando por dois anos consecutivos no Teatro do SESI e gravando uma faixa para o CD de cada festival. Neste período gravei todas as baterias em estúdio para a banda GMM, no CD “Faça a vida acontecer”. Com “A Metrópole”, gravamos um EP de estreia, produzido por Yanto Laitano, com duas faixas. A música “Nem você, nem ninguém” chegou a rodar algumas vezes na rádio Pop/Rock. Fazíamos shows em festivais e casas noturnas. Poucos anos depois a banda se desfez por diferentes motivos.


A partir daí integrei algumas bandas covers, ao lado do estudo de graduação em Biologia. Toquei na banda de reggae/pop “Wailua”, onde tínhamos uma agenda cheia, tocando principalmente em festas jovens em Porto Alegre e excursões. Toquei por alguns anos na “Parlophone B7”, banda cover de Beatles. Os shows eram principalmente em Canoas e locais alternativos da região metropolitana, onde por muitas vezes tocamos gratuitamente na comunidade Mathias Velho. Após o término da “Wailua”, até meados de 2010, toquei na “Zelador Ataíde”. Uma banda formada por professores. Fazíamos shows na noite portoalegrense geralmente lotados pelos alunos.


Em 2007, integrei a banda “Marcozero” e programei todas as baterias do álbum de estreia. Fazíamos alguns shows em teatros, como o Bruno Kieffer e Teatro da Arena. Após alguns anos afastado da banda, hoje ela ainda conta comigo como baterista. Em 2011, como biólogo, recebi uma bolsa integral para estudar no exterior. Foi também um marco em meu desenvolvimento como músico. Passado um período, comecei a gravar pequenas músicas instrumentais em meu quarto, aprimorando o violão e outros instrumentos. Todas as faixas experimentais estão disponíveis em soundcloud.com/andersonnprestes. Somam-se quase 100. Devido a razões pessoais, retornei ao Brasil antes da conclusão do curso. No entanto, agora já era um músico muito mais completo do que antes.


Comecei a cantar, escrever e gravar em estúdio. Em outubro de 2016 lancei um álbum solo de estreia chamado “Fotografias & Recortes”. Compus e executei os instrumentos do trabalho. Enviando material para diferentes pessoas, Julio Furst, da rádio Itapema FM, gostou do meu primeiro single e rodou na rádio por pouco mais de um mês. Feliz com o resultado do álbum, pensei que poderia traçar uma carreira como um artista de MPB/Folk.


Desde lá, já consegui algumas conquistas das quais me orgulho e aos poucos o trabalho vem crescendo. Após “Fotografias & Recortes”, lancei alguns singles, os quais somam-se 7 até o momento. Em março de 2020 lancei o álbum “In the room (Instrumental)”, onde distribuí formalmente as últimas 8 faixas em que gravei no formato instrumental. Fruto de um exitoso financiamento coletivo, a música “E vai lá” recebeu um videoclipe em 2020. O vídeo já conta com quase 20 mil visualizações em meu canal no YouTube e entrou nas programações dos canais BIS e Music Box Brazil. Junto à Colateral Filmes, parceira do clipe de “E vai lá”, fomos contemplados no Edital FAC Digital RS para a gravação do videoclipe de “Horizonte”. O vídeo foi elogiado e recentemente estreou no canal Music Box Brazil.


Com a ajuda de edital de incentivo, tive o meu projeto da gravação de 2 singles, 2 lyric videos e 2 lives em meu Instagram aprovado (Lei Aldir Blanc Canoas) - já concluído. Meu canal no YouTube possui vasto material, desde versões covers, ao vivo, vídeos diversos, videoclipes, depoimentos, e etc. Ele foi iniciado em 2015.


Sou ativo nas redes, principalmente no Instagram (@andersonnprestes). Considero-me um cantautor, aquele que faz canções baseadas no violão. Busco transmitir calma e tranquilidade em minha música, despertando sentimentos de paz, amor, segurança. Algumas de minhas canções tem posicionamento, como a “Aonde vamos?”, em que canto sobre as inconformidades as quais penso estarem acontecendo.


Ao longo de todos esses anos tive muitos parceiros na cultura, seja os integrantes das bandas, técnicos, pessoal do audiovisual, dos estúdios e produtores. Atualmente, meus maiores parceiros são o músico Vicente Casanova (em shows), o produtor Vinicius Bancke, o artista Leonardo Soares (capa dos singles) e a produtora audiovisual Colateral Filmes.


Como artista, vejo também o quão importante é lutar contra os preconceitos. Minha posição tenta ser pelo exemplo, de igualdade e promoção de uma masculinidade saudável e amorosa.


Penso que minha arte tem sido importante para comunidade. São mais de 19 anos de dedicação, shows, gravações, vídeos e amor à arte. Por onde passei tentei deixar um legado positivo e culturalmente rico.

Cidades de atuação

As cidades onde tive as maiores contribuições culturais são Porto Alegre e Canoas. Mas tive envolvimento em outras cidades da Região Metropolitana como Sapucaia, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Esteio. Na maioria das vezes por conta de alguma apresentação. Também fui ao interior como Veranópolis, Três de Maio, Jaguarão. Em outros estados, estive como músico em excursões para praias em Santa Catarina. Também houve uma mini tour com a banda “Marcozero” em São Paulo, onde tocamos em Diadema, São Bernardo do Campo, na Av. Paulista na capital, e gravamos o Release Showlivre, tradicional canal de música brasileira ao vivo.


Em minha passagem pelo exterior, residi em Honolulu nos Estados Unidos. Fiz algumas apresentações na universidade onde estudava, difundindo a música brasileira. Também foi o período em que gravei dezenas de faixas instrumentais.


Alguns dos vídeos e músicas distribuídas de minha carreira solo têm alcance de vários países e cidades no mundo, ainda que de forma modesta. No top 5 de cidades que mais visualizaram vídeos em meu canal no YouTube estão Canoas, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Quanto aos dados de audiência nos últimos 28 dias do Spotify o Top 5 fica entre Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Fortaleza e Canoas.


Formas de mobilização

Ultimamente a mobilização e divulgação das atividades culturais tem sido principalmente por meio digital. Utilizo bastante as redes sociais e procuro transparecer profissionalismo e autenticidade. Meu canal mais frequente de comunicação tem sido o Instagram (instagram.com/andersonnprestes), mas também utilizo o Facebook (facebook.com/aprestesmusic) e o Twitter (twitter.com/asprestes).


Comunico-me com o público, às vezes faço enquetes e tento me aproximar daqueles que apoiam e ouvem o projeto. Um exemplo seria a capa do single “Aonde Vamos?”. Eu tinha duas opções de capa e a partir de uma enquete no Instagram, o público escolheu aquela que seria a mais apropriada.


Um marco em minha carreira foi a promoção e êxito de um financiamento coletivo. Envolvi o público e a comunidade para gravar um videoclipe de ótima qualidade. O audiovisual tem um custo elevado para um artista independente. A campanha durou 45 dias e a meta foi atingida (catarse.me/aprestes). Entre as diversas recompensas para os colaboradores estavam versões covers com dedicatória, uma música instrumental feita exclusivamente para o apoiador, envio de demos e versões exclusivas de minhas músicas, entre outros.


Com a pandemia e o boom das lives, eu também aderi. Durante o período fiz 5 lives, sendo que as 3 últimas estão disponíveis em meu IGTV. Minha relação com o público é horizontal, de respeito e admiração mútua. Como baterista da “Marcozero” não me envolvo tanto na mobilização do público, mas auxilio o Marco Prates, líder da banda, em diversas tarefas sempre que necessário.


De algum modo, sempre promovi a arte, mesmo antes de todo esse movimento de redes sociais. Como um artista apaixonado por música, as pessoas próximas, amigos, a comunidade, sempre souberam que desde muito cedo exercia atividades relacionadas.

Capacitação de novos artistas

Às vezes nem sabemos se inspiramos alguém ou não. Mas o trabalho sério e consistente geralmente motiva outros talentos. Diretamente tive dois alunos de violão, mas acredito que de alguma forma minha arte possa ter amplificado em outros fazeres de outros artistas. Tenho um exemplo concreto do baterista hoje de renome mundial, Carlos Lazzari. Estudávamos na mesma escola e ele é alguns anos mais novo do que eu. Quando fez uma série de posts sobre bateristas que o influenciaram, ele escreveu um texto muito bonito dizendo que na época do colégio ele queria ser como eu.


A cultura é um organismo vivo, se moldando, se influenciando e reinventando. Eu tenho muitos artistas independentes os quais me inspiram, assim como os já “grandes” e renomados. Desse modo, penso que meu trabalho contribui para o enriquecimento e capacitação da cultura da comunidade e na formação e capacitação de novos artistas.

Destaque na mídia

Ao longo desses 19 anos estive na mídia algumas vezes, tanto a alternativa quanto a mais popular. Algumas músicas, sejam minhas ou que participei, rodaram em grandes rádios, como a antiga Pop/Rock e a Itapema FM (hoje 102.3 FM). Estive presente em algumas entrevistas em diversas rádios e tvs alternativas e destaco minha participação no programa “Show de Bola” da rádio Gaúcha em 2016. Fui o entrevistado do programa e contei sobre meu álbum de estreia, também tocando algumas músicas ao vivo.


Meus dois videoclipes fazem parte da programação do canal exclusivo de música brasileira Music Box Brazil. O clipe de “E vai lá” também está no canal BIS. O site papoalternativo.com tem sido constante na cobertura de meus lançamentos. Em uma das matérias, a colunista Letícia Morais escreveu que "ousaria dizer que ele [Andersonn] é o mais promissor rosto da MPB".


Em julho de 2020 eu fui o vencedor na categoria releituras no desafio #cancoesnossas promovido pela página no Instagram @novosdiscosnossos. O “festival” teve excelente cobertura pelos canais Jukebox 800 e Revista Clandestina, entre outras mídias. Participei de uma live devido ao resultado na página da @novosdiscosnossos.


A Jukebox 800 também divulgou meu single “Andar em Si” recentemente, que ainda teve cobertura pela radioarmazen.net em seu Instagram e numa matéria em seu blog. A página @folkdaworld recomendou meu single “Aonde Vamos?” em matéria de seu blog ao lado de singles de bandas como First Aid Kit. Com a banda “Marcozero” estive duas vezes no programa Radar TVE, além da presença em rádios universitárias, alternativas e matérias variadas.

Pessoas beneficiadas

Muitas pessoas foram beneficiadas economicamente ao longo de minha trajetória. Exercendo as atividades com as bandas, alguns shows eram com cachê, quando dividíamos - já tive envolvimento em uma soma dos integrantes com cerca de 30+ músicos. Em alguns casos também fazíamos shows gratuitos para a comunidade.


Como artista solo, sou responsável por toda a gestão do projeto e dependendo do fluxo de caixa, diferentes artistas, produtores e agentes culturais são beneficiados economicamente. No momento tenho alguns parceiros que tem acompanhado a trajetória e, sempre que possível, são monetizados. O músico Vicente Casanova, o produtor Vinícius Bancke, o artista Leonardo Soares, o produtor Eduardo Christofoli, o fotógrafo André Wofchuk, o fotógrafo Guilherme Ribeiro.


Como produtor cultural, fui contemplado pelo Microcrédito Cultural da cidade de Canoas em 2011, para a gravação do DVD Ao Vivo “Nunca Diga Adeus” da banda “Marcozero”. O trabalho fomentou diversos profissionais na área de vídeo e música.


Em minha carreira solo, promovi um financiamento coletivo bem sucedido para a gravação do videoclipe de “E vai lá”, que contou com uma equipe de sete pessoas. Junto à Colateral Filmes, o projeto do clipe de “Horizonte” foi aprovado no Edital FAC Digital RS, mais uma vez girando a economia do setor cultural. Meu último trabalho aprovado por editais foi pela Lei Aldir Blanc administrada pela prefeitura de Canoas, que contou com uma equipe de 4 pessoas.

Participação da comunidade

A comunidade participa de minhas atividades consumindo minha arte. O envolvimento vem na presença dos shows, no contato com a música ou vídeos. Assistir uma boa performance ao vivo pode ser um catalisador de momentos de transformação e entretenimento. Assim como também pode acontecer no envolvimento com os videoclipes e as músicas gravadas.


Muitas de minhas apresentações foram em comunidades carentes de forma gratuita, ou em praças e locais públicos. É importante levar cultura de forma equânime a todos os pontos das cidades. Ocupar os espaços e promover a arte, que dá significado à expressão dos cidadãos.


Meu trabalho como artista zela por uma cultura autêntica, de autoexpressão e que de alguma forma toque a audiência. Recentemente, nesse contato mais próximo ao público, tenho aderido às lives. Nesse período de pandemia fiz 5, sendo as 3 últimas disponíveis em meu IGTV. Com um feedback e interação em tempo real com o público, as lives ajudam a aproximar os ouvintes do artista.


Não possuo uma forma mensurável e objetiva de como minhas atividades ao longo de todos esses anos impactam a comunidade, mas acredito que aqueles uma vez tocados, sejam poucos ou muitos, passam a ser agentes de transformação na valorização da nossa cultura, tão importante para o desenvolvimento de nosso país e ainda tão desvalorizada.

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