• Andersonn Prestes

O Cactos Gil



Ganhei um cactos de aniversário. Pequeninho, num pote marrom. É bonito, verde, tem quatro braços com espinhos. Eu não dei nenhum nome para ele. Poderia chamar de Euclides ou de Gil - não em homenagem ao zagueiro do Corinthians, mas ao artista Gilberto.

Ele é mais sossegado do que minha cachorrinha Rebeca, que gosta de brincar e correr. Parece fácil de cuidar. Precisa de sol e água vez que outra. Sem exageros. Deixá-lo crescer e se desenvolver sob um olhar tranquilo e apreciador.


No meu entender, penso que são plantas fascinantes.


Sabias que no meio natural os cactos existem apenas nas Américas? Se um dia tu fores na Índia comprar orégano não verás nenhum cactos nos terrenos arenosos - a não ser que alguém tenha levado daqui.

O cactos mais alto de todos chegou a quase 20 metros. Não sei se o “Gil” vai ser tão grande. Espero que não; teria que fazer mudanças no meu quarto. O ponto positivo é que nunca entregariam encomendas enganadas: ponto de referência, “casa com um cactos do tamanho de um prédio”.

Mas se for o caso, com seu crescimento, é provável que tivesse que ir a algum lugar mais amplo, algum topo de morro com muito sol e pouca água. Para ser um cactos, dentro de todas suas possibilidades, com todo significado da palavra.

A espécie gigante é do México e suspeito que “Gil” pertence a alguma outra. Até porque existem mais de duas mil espécies descritas. É muita planta, com espinhos de tudo que é tipo e tamanho.

Elas vivem muito também. Podem chegar a mais de 200 anos, passando por pandemias, mudanças climáticas (assim esperamos) e crises autoritárias. “Gil” poderá atravessar gerações, carregando a sabedoria de quem viveu momentos de tensão e alegria. O ano com muito sol. Aquele outro nublado e frio.

Os espinhos são folhas modificadas, onde uma das funções é não perder água e também proteger a planta. Geralmente é o caule que faz a fotossíntese e armazena água. Há muitos desafios em viver em um local seco. Entre as várias funções que a água exerce, ela é fundamental para dar energia à planta, sendo um dos reagentes da fotossíntese.

Mas o solo seco, a dificuldade do ambiente inóspito, veio a ser uma oportunidade. Os cactos floresceram em praticamente todos os ambientes áridos do continente. Uma explosão de formas e cores (as flores podem ser muito coloridas). Trouxe singularidade e beleza ao terreno pacato e iluminado.

“Gil” chegou aqui com esse legado, trazendo a história de seus antepassados que desbravaram aquilo que parecia inviável: uma planta sem água.

Talvez até possamos fazer um paralelo ao artista, que floresceu em momentos de repressão e continua espalhando beleza com sua arte por gerações que vem a seguir.

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